Eu nunca fui uma pessoa com muitos amigos. Não tenho irmãos, os meus pais andavam sempre muito ocupados nos seus trabalhos, para me poderem dar o melhor possível, e eu ao longo dos anos aprendi a tomar conta de mim próprio e acabei por me tornar no meu melhor amigo. Por causa disso, em todas as decisões que tomo, ninguém me consegue demover de nada. Eu penso pela minha própria cabeça e tomo as minhas próprias decisões e ninguém tem qualquer influência nisso. Mas isso até é uma boa qualidade. Se por acaso sigo um conselho de outra pessoa, é porque acho mesmo que é aquilo que me vai beneficiar mais e não porque foi aquela pessoa que disse. Se calhar há muitas pessoas que se acham assim, mas se formos ao fundo das questões não é bem assim.
Estive mais tempo do que me lembro sem ter um amigo que possa chamar assim. E por ser um "lone wolf", tenho uma personalidade escondida que nunca ninguém viu, e que provavelmente ninguém vai ver nunca. A pessoa que se apresenta todos os dias é uma máscara que contacta com as outras pessoas, porque eu acredito que se a minha personalidade verdadeira viesse ao de cima voltaria novamente a uma ser um "lone wolf". Se conhecem o primeiro filme de Harry Potter, eu vivo uma situação semelhante. Para quem não sabe, quando ele entrou na escola de magia, o chapéu selecionador de equipas recomendou-lhe que fosse para a equipa de Slytherin - a equipa "má", porque achava que ele teria muito sucesso lá. Mas ele acabou por optar por Gryffindor - a equipa "boazinha". Não sou nenhum mágico ou super-herói obviamente, mas, eu fiz também a mesma escolha porque apesar de achar que se eu tivesse optado por mostrar a minha personalidade teria mais sucesso, eu prefiro mostrar a minha máscara e ser uma pessoa normal e poder ter relações normais com as pessoas que me rodeiam, por isso tranquei essa personalidade a sete chaves dentro de mim, porque não quero ficar sozinho outra vez. Mas, enquanto o Harry Potter só teve de fazer essa escolha uma vez, eu tenho de a fazer todos os dias da minha vida. Muitas vezes, recusar aquilo que sou realmente deixa-me triste, porque penso que talvez não tenha sido a opção que me traz mais sucesso. Mas ter uma relação de amizade e amor com certas pessoas compensa isso tudo.
Como eu disse, o Tiago escondido dentro de mim, nunca ninguém o viu, e eu espero que nunca ninguém o veja. Ele perde sempre as batalhas com o Tiago normal e só se alguma vez acontecer uma catástrofe muito grande na minha vida ele tomará controlo. E eu aguardo esse dia com receio.
No fundo, tenho dupla personalidade. Mas, enquanto as pessoas normais com dupla personalidade demonstram ambas em várias situações da sua vida, eu mantenho uma escondida e outra que uso sempre.
Nunca devemos ter medo de mostrar o nosso verdadeiro eu.
ResponderEliminarDepende de como for o nosso verdadeiro eu
ResponderEliminarQuem for ter amigo de verdade, há-de gostar de ti, sendo tu como és
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